Por Danniel Alves Costa, presidente da OAB/SE
A nomeação do novo desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), na vaga destinada à advocacia pelo Quinto Constitucional, representa a conclusão formal de um processo eletivo que consagra uma escolha institucional: a de construir uma OAB/SE mais democrática, mais inclusiva e mais fiel à realidade da advocacia e da sociedade sergipanas. Por isso, a indicação do advogado e professor Kleidson Nascimento preserva a essência do processo democrático, inclusivo e representativo conduzido pela Seccional.
Desde a formação da lista sêxtupla, o processo foi pautado pela ampliação da representatividade, com 5% das vagas para advogados com deficiência, uma iniciativa inédita no Brasil, paridade de gênero em 50% e representatividade racial em 30%. Essas medidas não surgiram por acaso. São fruto da convicção amadurecida de que a representatividade não é ornamento retórico, mas critério de legitimidade institucional, um avanço civilizatório que reafirma o protagonismo histórico da OAB/SE na implementação de políticas afirmativas no país.
Ao longo de todo esse processo, a OAB/SE enfrentou resistências, ações judiciais e tentativas de interrupção de uma agenda que, no fundo, apenas instituiu o princípio constitucional elementar de que a democracia só é plena quando abre espaço real para a diversidade da sociedade que pretende representar. Não por acaso, o voto secreto, seguro e auditável da advocacia, aliado aos critérios afirmativos, demonstrou que inclusão e técnica não competem entre si. Pelo contrário, fortalecem-se mutuamente e promovem mudanças reais.
E essa cultura institucional não se limita ao Quinto Constitucional. Ela tem sido construída em várias frentes da gestão. Na atual diretoria da OAB/SE, a presença feminina ocupa espaços centrais de deliberação e comando. A vice-presidência é exercida por Edênia Mendonça, e a Secretaria-geral, por Andrea Leite. No plano nacional, a ascensão de Rose Morais à Secretaria-geral do Conselho Federal da OAB como a primeira advogada nordestina a ocupar o cargo projeta Sergipe no centro da agenda institucional do país e representa um marco da participação feminina e da força da nossa advocacia no cenário nacional.
Também na pauta racial, Sergipe tem ampliado sua presença em espaços estratégicos. A posse da conselheira federal Clara Arlene na presidência da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade Racial do CFOAB representa a continuidade de um compromisso histórico com a dignidade humana, o enfrentamento ao racismo e a construção de uma sociedade mais justa. Não se trata apenas de ocupar cargos, mas de permitir que novas vozes possam influenciar a formulação das grandes decisões da Ordem e do sistema de Justiça.
No mesmo espírito, a Seccional consolidou, em 2026, uma política permanente de equidade de gênero, por meio da Resolução nº 04/2026, voltada à promoção da equidade, à prevenção da violência contra a mulher e ao fortalecimento da atuação feminina na advocacia. Em paralelo, a campanha “Advocacia por Elas” percorreu todas as regionais do estado com ações de enfrentamento à violência de gênero, à misoginia e ao feminicídio. Iniciativas de acolhimento, inclusão e proteção que integram a espinha dorsal de uma instituição moderna e plural.
Tudo isso exige coragem. Coragem para rever práticas antigas. Coragem para enfrentar a reação dos que confundem privilégio histórico com mérito. Coragem para entender que o mundo se move por atitude e que instituições só permanecem relevantes quando têm disposição para promover as mudanças necessárias. Foi essa coragem que orientou a OAB/SE no Quinto Constitucional e em tantas outras frentes – e é essa mesma coragem que seguirá guiando a nossa gestão.
A nomeação do novo desembargador, portanto, não encerra apenas uma disputa democrática, ela também celebra uma conquista coletiva. É vitória da advocacia sergipana, que mostrou maturidade para escolher por meio de um processo aberto e inclusivo. É vitória das mulheres, das pessoas pretas, das pessoas com deficiência e de todos aqueles que durante muito tempo estiveram à margem dos espaços de poder. É vitória de uma Ordem que decidiu não esperar o futuro, mas construí-lo.
Parabéns à advocacia sergipana por essa grande vitória.